segunda-feira, 13 de junho de 2011

Higienização / manutenção baixo Warwick Corvette

Olá pessoal, bem-vindos novamente ao meu blog. Eu já fiz manutenção (limpeza e regulagem) em baixos e guitarras antes, mas isso foi antes de eu decidir virar luthier para valer... então esse trabalho abaixo foi o meu primeiro "trabalho oficial". O instrumento abaixo se trata de um Warwick Corvette Proline de um amigo, adquirido há uns 15 anos, e que nunca foi limpado e/ou regulado. O resultado é isso que vemos abaixo, muita sujeira, oxidação, etc. Os trastes estavam cobertos de zinabre, e em alguns pontos tão corroídos que dava para sentir o desgaste passando a unha, mesmo depois de limpos e polidos! (Continuei polindo até que esse desgaste fosse eliminado)
Trastes verdes! Eca.


A escala estava bastante suja e arranhada , com as marcas de cordas , unha, etc. Foi necessário passar um bombril, bem levemente, para retirar esse desgaste das cordas e essa gordura petrificada...

Vejam aqui a diferença... do lado esquerdo a escala foi polida, do lado direito não...



O nut desse baixo é bem interessante. Vejam que cada "groove" do nut na verdade é um parafuso. Assim é possível ajustar a altura de cada corda no nut sem precisar fazer um nut novo, ou retificá-lo. Pela cor, me parece ser de bronze. Quer dizer, bronze totalmente encardido... Alguns desses parafusos nem giravam mais... tive que usar WD-40 para desengripá-los.




Antes de limpar os trastes, cobri a escala com fita crepe pois alguns trastes estavam tão sujos que estava com medo de machucar alguma parte da madeira. Usei uma ponteira de aço, com bastante cuidado, para tirar sujeiras mais sólidas.




Vejam só que diferença de um traste depois de polido, e  outro sujo logo ao lado... Trastes sujos acabam se desgastando com a fricção das cordas, e essa sujeira estraga as cordas também. Isso pode ocasionar trastejamentos, uma retífica de trastes que poderia ser evitada e gastos desnecessários com encordoamento.


As tarrachas estavam bem oxidadas e sujas. Embaixo delas tinha zinabre, o que deixou a madeira do headstock manchada. Essa sujeira foi retirada também.




As tarrachas foram desmontadas e higienizadas com nafta. O poste onde a corda é enrolada estava bastante enferrujado.


Talvez tenha sido um pouco de perfeccionismo de minha parte, mas limpei até a cavidade da junção corpo-braço. Tinha mofo ali dentro !



Os ferrules de fixação dos parafusos do braço também estavam bem sujos, isso pode estragar os parafusos com o tempo, agora estão reluzentes.


O corpo estava bem sujo, e tinha papel contact bem velho, e já perdendo o adesivo. Isso foi colocado para evitar estragar o acabamento do baixo pela unha do polegar. Depois de limpo, colocamos um novo, e melhor recortado para se encaixar em volta dos captadores.

A ponte estava bem oxidada, retirei e desmontei-a toda, pois esta tinha peças (parafusos allen) muito pequenas, se enferrujarem podem espanar e aí isso seria um problema muito mais sério.



Embaixo da ponte tinha uma placa grossa de metal, onde aquela se apóia. O hardware desse baixo me impressionou, é bem robusto. Veja embaixo o fio terra, que faz contato com essa placa quando a mesma é parafusada.



Desmontei a ponte mas mantive todos os carrinhos e parafusos na mesma ordem, pois nem sempre as peças são simétricas. A mola do parafuso de regulagem de oitava da corda si, por exemplo, é  mais curto.


Retirei o stop-bar também para limpar, pois a parte de baixo deste é de difícil acesso.


É, limpei até embaixo dos captadores... Notem as molas contra as quais os captadores são apoiados. Estavam um pouco oxidadas, então limpei-as com nafta. Aquelas manchas no corpo são da cola com papel contact, tirei com cera de polir móveis.


Depois de toda essa higienização, procedi com a montagem do instrumento e colocação de encordoamento novo. Usei um afinador Peterson para afinar as cordas e ajustar as oitavas.

Vejam o antes e depois:










Até a próxima!

sábado, 4 de junho de 2011

Começando o braço da guitarra

Olá amigos, bem-vindos novamente ao meu diário de luthieria. Bem, esqueci de dizer no último post que este pedaço de madeira e futura guitarra terá 7 cordas, 22 trastes, e será baseada numa Carvin CT6M (para o corpo) e numa Carvin DC727 para o headstock (mão). O headstock acabou ficando um pouco diferente, com as 3 tarrachas inferiores deslocadas levemente em direção ao nut, deixando mais madeira à frente, o que eu achei que ficou mais legal. Tudo começou com um template, ou um "gabarito" que é um pedaço de madeirite com o formato do braço desejado. No caso, usei um gabarito de Fender Stratocaster, tamanho de escala padrão 25.5 polegadas. Depois de centralizar o desenho na madeira a lápis, apaguei o headstock original e desenhei o que vocês vêem abaixo. Feito isso, usei a serra de fita para cortar a madeira seguindo o desenho do lápis e aí obtive o braço ainda bem rústico.

Feito o corte, usei uma lixadeira de cinta para desbastar as laterais do braço. Essa lixadeira é a mesma mostrada no primeiro post. Para um melhor acabamento, depois ainda lixa-se à mão conferindo com um esquadro e vendo se passa luz (isso dá bastante trabalho) para as laterais ficarem retas. Próxima etapa foi usar um gabarito de espaçamento de cordas... usei o de 7.25 polegadas se não me engano... e este era para guitarra de 6 cordas, então tive que ir mudando a posição dele até conseguir fazer mais uma risca para a sétima corda. Nem sempre se tem tudo pronto. Às vezes tem que improvisar e isso é bom para exercitar a criatividade (prof. Henry me deu as dicas). Depois usamos um barbante para ver se o alinhamento da cordas com as tarrachas estava bom, e fomos mudando o espaçamento das tarrachas até que ficasse simétrico. Logo após, como vemos nas fotos abaixo, fiz furos-guia para usar a furadeira de bancada e fazer a furação para as tarrachas:





Na hora de furar, o ideal é colocar uma madeira embaixo para quando a broca atravessar o braço, não sair do outro lado arrancando lascas e prejudicando o acabamento (ou até danificando o material).



Terminada a furação, chegou a hora de diminuir a espessura do headstock, usando a lixadeira abaixo. Esta funciona da seguinte forma: É um rolo de lixa em cima, e uma mesa móvel embaixo. Ao girar uma manivela, a mesa desce ou sobe... Mas antes de lixar, desenhamos uma linha a lápis como guia na lateral para saber até onde lixar (15mm). Como é uma lixadeira de rolo, aquela curvatura próxima à junção do headstock com o nut já fica praticamente pronta.


Olha quanto pó... para quem tem alergia, é triste. Ainda bem que levei uma máscara, o que amenizou bastante o problema.

Aqui na foto vemos meu colega de Santa Catarina e o prof. Henry, com uma ligeira diferença de altura (quase) corrigida por vários tocos de madeira empilhados... hehehe. Mesmo com a alergia e o cansaço, esse dia foi muito proveitoso. Compartilharei com vocês a minha próxima experiência... Até lá.