sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Forma da escala, headstock, esculpindo o corpo

Estou postando agora somente mas esse trabalho foi feito no dia 02 de Dezembro de 2011, e o seguinte foi feito:

A escala estava quadrada, então quebramos a quina dela usando essa lima grande:






Depois de algumas passadas, a escala ficou assim:




 Só que aí ficou a quina do braço, e então usei uma micro-retífica Dremel para tirar essa quina, e depois usei uma lixa enrolada num cano para dar o acabamento:






Eis o resultado (não o resultado final, lixei um pouco mais depois disso até que a junção da escala com o braço ficasse imperceptível:



Depois passei a trabalhar no corpo, para uma mudança de ares, senão enjoa. Passei a esculpir a parte frontal do corpo, pois numa postagem mais antiga foi feita a parte de trás.



Observem as linhas demarcando onde no topo da guitarra comecei a esculpir, até o ponto mais baixo, que é essa linha desenhada na lateral do corpo. Na próxima postagem (que seria o mês seguinte) finalizarei essa parte. Não deixem de ver, e obrigado por seguirem meu blog.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Instalando marcadores (inlays) na escala

Boa tarde/noite aos seguidores do meu blog! Fiquei um tempo sem postar, meio por preguiça, meio por falta de organização... Acabei esquecendo de tirar fotos de algumas aulas... No entanto vou postar um resumo aqui do que fiz desde o meu último post.

Lembram do braço? Pois é, desenhei algumas linhas com lapiseira na parte de trás para delimitar até onde eu iria limar, pois como vocês se lembrar o braço ainda era quadrado. É preciso muito cuidado quando se aproxima das extremidades com a lima, tanto onde seria a junção com o corpo quanto próximo do headstock, pois exerci uma pressão a mais e acabou gerando um desgaste excessivo ali. O instrutor Saulo no entanto me ajudou a afinar o braço um pouco mais porém deixando-o grosso o suficiente para uma guitarra de 7 cordas e deixando-o plano e com uma leve curvatura (positiva?) nas extremidades. Depois disso usei uma lima mais fina para começar o acabamento, lixa e também um estilete, passando-o no sentido contrário ao corte. Feito isso, usamos um gabarito e uma serra circular para cortar (apenas marcar) onde serão os cortes (ainda não foram feitos) dos slots dos trastes.

Switching gears... vamos ao corpo agora. Usei também uma lima para nivelar aquele "comfort cut" na parte de trás do corpo, onde encaixamos a barriga/tórax. Usamos lixa/toco para dar acabamento no corpo na parte de trás também. É possível que eu tenha invertido a explicação de algumas etapas pois acabei não fotografando todas elas, caso tenha feito editarei esse post...

Vamos em frente... Voltando ao braço, agora sim finalmente vou colocar fotos do processo, vamos lá:




Eu adquiri alguns inlays de abalone (não-maciços) no Ebay, muito bonitos, em formato de bloco, bem parecido com os das guitarras da Carvin. Marquei o centro de cada um dessas marcações e fiz o mesmo com cada casa na escala a receber as marcações, com lapiseira. Centralizei cada peça, e desenhei o contorno de cada inlay com a lapiseira. Feito isso, cortei com um estilete cada um desses quadradinhos, para servir como guia para a micro-retífica, que é acoplada a uma "base", um tipo de suporte que centraliza a ferramenta verticalmente (esqueci o nome, velhinho... hehe). Ajustamos a altura da ferramenta, ou seja, qual a profundidade que a fresa vai perfurar dentro desse quadradinho. Furamos algo em torno de 1.5mm.








Depois de fazer essas cavidades, vamos encaixando as peças... às vezes elas não entram, e aí com muito cuidado aumentamos o corte com a micro retífica até que encaixem.



Depois de colar todas as peças, usei um toco com lixa 220 para nivelar os inlays com a escala, vejam o resultado:




No entanto, os cortes ficaram com algumas imperfeições e usei uma "pasta de madeira" de cor escura como enxerto, que apliquei com o estilete, pressionando a pasta contra as frestas:



Depois de aplicar a massa dei uma leve lixada e ficou assim:



É isso pessoal, vou tirar mais fotos das próximas etapas para não ficar uma lacuna tão grande entre os posts nesse blog... sorry!  : )


sexta-feira, 15 de julho de 2011

Instalação do tensor, colagem da escala, esculpimento da parte de trás do corpo

Bem-vindos novamente. Nesse dia eu trabalhei a maior parte do tempo no braço. Traçamos uma linha com lápis no meio do braço , para seguir de guia para a tupia. A tupia é uma fresa, ou seja, uma ferramenta que faz cavidades. À tupia acoplamos essa peça quadrada que serve de "mira" para acompanharmos o risco de lápis bem retinho. Mas para centralizar essa "mira" com o traço de lápis, usamos essa bancada com 1 tábua que serve de "trilho" para a tupia.






Com a cavidade já feita, até a altura do headstock, agora chegou a hora de instalar o tensor. O tensor é uma peça de aço com um parafuso na ponta que serve para ajustar a curvatura do braço.



Com o tensor já instalado, colocamos um preguinho no braço e cortamos a cabeça dele com um alicate turquesa. Vamos colocar a escala em cima do braço e esse preguinho invertido vai servir para ajudar a segurar a escala no lugar, quando for colada.


Aqui usamos "sargentos" para prensar o braço e a escala para que a colagem seja bem sucedida. Aí no caso prensamos 2 braços de 1 vez para aproveitar, já que um colega meu estava na mesma etapa.


Agora só na próxima aula vamos mexer no braço. Enquanto isso, comecei a mexer no corpo. Mais precisamente, comecei a cortar aquela curva na parte de trás, onde se apoia a barriga, para dar mais conforto:



Depois de fazer vários picotes, usamos o formão para cortar as tiras fora. Depois disso ainda tem que lixar... mas isso vai ser só na próxima aula...

Por enquanto é só. Obrigado por visitar meu blog e até o próximo post!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Higienização / manutenção baixo Warwick Corvette

Olá pessoal, bem-vindos novamente ao meu blog. Eu já fiz manutenção (limpeza e regulagem) em baixos e guitarras antes, mas isso foi antes de eu decidir virar luthier para valer... então esse trabalho abaixo foi o meu primeiro "trabalho oficial". O instrumento abaixo se trata de um Warwick Corvette Proline de um amigo, adquirido há uns 15 anos, e que nunca foi limpado e/ou regulado. O resultado é isso que vemos abaixo, muita sujeira, oxidação, etc. Os trastes estavam cobertos de zinabre, e em alguns pontos tão corroídos que dava para sentir o desgaste passando a unha, mesmo depois de limpos e polidos! (Continuei polindo até que esse desgaste fosse eliminado)
Trastes verdes! Eca.


A escala estava bastante suja e arranhada , com as marcas de cordas , unha, etc. Foi necessário passar um bombril, bem levemente, para retirar esse desgaste das cordas e essa gordura petrificada...

Vejam aqui a diferença... do lado esquerdo a escala foi polida, do lado direito não...



O nut desse baixo é bem interessante. Vejam que cada "groove" do nut na verdade é um parafuso. Assim é possível ajustar a altura de cada corda no nut sem precisar fazer um nut novo, ou retificá-lo. Pela cor, me parece ser de bronze. Quer dizer, bronze totalmente encardido... Alguns desses parafusos nem giravam mais... tive que usar WD-40 para desengripá-los.




Antes de limpar os trastes, cobri a escala com fita crepe pois alguns trastes estavam tão sujos que estava com medo de machucar alguma parte da madeira. Usei uma ponteira de aço, com bastante cuidado, para tirar sujeiras mais sólidas.




Vejam só que diferença de um traste depois de polido, e  outro sujo logo ao lado... Trastes sujos acabam se desgastando com a fricção das cordas, e essa sujeira estraga as cordas também. Isso pode ocasionar trastejamentos, uma retífica de trastes que poderia ser evitada e gastos desnecessários com encordoamento.


As tarrachas estavam bem oxidadas e sujas. Embaixo delas tinha zinabre, o que deixou a madeira do headstock manchada. Essa sujeira foi retirada também.




As tarrachas foram desmontadas e higienizadas com nafta. O poste onde a corda é enrolada estava bastante enferrujado.


Talvez tenha sido um pouco de perfeccionismo de minha parte, mas limpei até a cavidade da junção corpo-braço. Tinha mofo ali dentro !



Os ferrules de fixação dos parafusos do braço também estavam bem sujos, isso pode estragar os parafusos com o tempo, agora estão reluzentes.


O corpo estava bem sujo, e tinha papel contact bem velho, e já perdendo o adesivo. Isso foi colocado para evitar estragar o acabamento do baixo pela unha do polegar. Depois de limpo, colocamos um novo, e melhor recortado para se encaixar em volta dos captadores.

A ponte estava bem oxidada, retirei e desmontei-a toda, pois esta tinha peças (parafusos allen) muito pequenas, se enferrujarem podem espanar e aí isso seria um problema muito mais sério.



Embaixo da ponte tinha uma placa grossa de metal, onde aquela se apóia. O hardware desse baixo me impressionou, é bem robusto. Veja embaixo o fio terra, que faz contato com essa placa quando a mesma é parafusada.



Desmontei a ponte mas mantive todos os carrinhos e parafusos na mesma ordem, pois nem sempre as peças são simétricas. A mola do parafuso de regulagem de oitava da corda si, por exemplo, é  mais curto.


Retirei o stop-bar também para limpar, pois a parte de baixo deste é de difícil acesso.


É, limpei até embaixo dos captadores... Notem as molas contra as quais os captadores são apoiados. Estavam um pouco oxidadas, então limpei-as com nafta. Aquelas manchas no corpo são da cola com papel contact, tirei com cera de polir móveis.


Depois de toda essa higienização, procedi com a montagem do instrumento e colocação de encordoamento novo. Usei um afinador Peterson para afinar as cordas e ajustar as oitavas.

Vejam o antes e depois:










Até a próxima!